Telmo de Lima Freitas

Cantiga de Ronda

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Era boi, era boi, era boi
Marcha boi, marcha boi, marcha boi
Volta boi, volta boi, volta boi, volta

Nesta constancia constante da vida tropeira
Tropa estendida na várzea pastando luar
Faz me lembrar de uma feita num quarto de ronda
Quando eu cantava em silencio pra o gado escutar

Era boi, era boi, era boi
Marcha boi, marcha boi, marcha boi
Volta boi, volta boi, volta boi, volta

Nessa cadencia sofrida o taura genuíno
Segue num tranco arrastado pelo corredor
O gado parece que sente na voz do tropeiro
Um outro mugido de penas fazendo fiador.

Era boi, era boi, era boi
Marcha boi, marcha boi, marcha boi
Volta boi, volta boi, volta boi, volta

Quantos invejam a vida do homem do campo
Quantos recordam tropeadas sem nunca tropear
Esse atavismo dormindo na lama da gente
Precisa sentir uma ronda pra se libertar.