Cláudia

Meu Amor, Santa Tereza

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São quase seis da tarde, o bonde tá
que já nem cabe guri
Depois de um geladinho na estação
a gente pode subir
Bondinho é tão gostoso!
Corre não. Sobe bem
pras Naves e Prazeres...
pois o chopp também...
E os bondinhos vão partindo...
E os choppinhos vão saindo...

Eu vi, na esquina co'a Santa Cristina,
a mão divina esculpir
Rapaz, que coisa louca a flor-de-boca
e o olhar... como eu nunca vi...
Passei meu Vista Alegre e o França
até os Dois Irmãos,
voltei no mesmo bonde e tava lá a inspiração!
Escadaria da André...
Que bonita ela é...

Caramelos - braços belos -
debruando o branco do vestido...
Tetas tesas recheando e
retesando a teia do tecido...
Que ousadia! Que beleza!
... me perdoe - ao pobre - a Poesia...
Meu amor, Santa Teresa,
cada curva dela te copia!

Só vi, no Paula Mattos, pé tão lindo,
em capoeira no ar!
No Morro da Coroa, o Samba faz
tão fina mão batucar!
Curvelo, é o zigue-zague
nos seus pelos pincel
e o Largo é seu sorriso!
É o Guimarães do Miguel!
Lagoinha, veste o céu
e o Silvestre, verdes véus

Longe o Cristo, o Carioca lotou
Seis da tarde, Ôlho no trilho eu estou
Lá vem ela! Ave Maria no Morro!
A estrela d'alva aterrisou! Encarnou!