César Oliveira

Regalo

Xote crinudo...
Da pampa velha grongueira
Costeado na botoneira
Num surungo de galpão
De um jeito antigo
Aquerenciado na fronteira
Curtido nas bebedeiras
Oitavadas no balcão

Xote sem sono...
Cusquilhoso e retovado
Que por ser abagualado
O nego ajeita com calma
E noite adentro
Floreia e tapa de grito
Porque além de ser bonito
Te juro, faz bem pra alma!

Trago esse xote
Que é pra entregar de regalo
Pra quem gosta de cavalo
De genetiada e bailão
E pra os que gostam
De um romance proibido
Desses de beijar escondido
Na penumbra do salão

Xote terrunho...
Moldado no reboliço
E que tem o compromisso
De manter a tradição
De vez em quando
Se arrasta batendo garra
Depois se amansa e esbarra
Erguendo terra do chão

Xote dos "nosso"
Da gente buena e campeira
Criada pelas pradeiras
Que se garante no embalo
Se derem cancha
Arrocina a evolução
Pois hay que tranca o garrão
Depois se bota o pealo!

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