César Menotti e Fabiano

Poente da Vida

Amigo escute com calma
A minha pobre canção
Que traz lembranças da alma
Guardadas no coração
Há quase dezoito anos
Um sertanejo menino
Partiu seguindo o destino
Buscando uma ilusão
Só muito tarde entendeu
Que a sua felicidade
Era viver de saudade
Do seu amado sertão.

Marcado pela tristeza
Desesperado e aflito
Fez versos à natureza
E àquele solo bendito
Nas matas, campos e lagos
Encantos de uma terra
Citou o alto da serra
No amanhecer mais bonito
E o astro rei majestoso
Nas manhãs mais coloridas
Pintando quadros da vida
Na tela do infinito.

Que vida mais cor-de-rosa
A sorte deixou perdida
A estradinha mimosa
De minha infância querida
Porque sou eu o caboclo
Que por missão ou vaidade
Deixou a felicidade
Na terra nunca esquecida
Quis o destino mandar-me
Sentir na grande cidade
O alvorecer da saudade
Já no poente da vida

Voltar não pude é verdade
Pra terra dos madrigais
Pra não morrer de saudade
Com a falta dos velhos pais
E hoje o tão qual quebrado
Herança dura da sorte
Espero antes da morte
Nos meus instantes finais
Que deus permita que eu sonhe
Com aqueles campos e flores
Na terra dos meus amores
Que eu não verei nunca mais

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