Cátia de França

Coito das Araras

papagaio da asa amarela
corre e leve esse recado meu pra ela
minha saudade não se rebate
vai no grito estrangulado do meu canto

papagaio trombeteiro
meu amigo ele é um bom carteiro
diz pra ela que nas águas do coito
nasceu versos da espera na lagoa

no Coito das Araras quem passa por lá não pára
no Coito das Araras tudo está como sempre foi
o gado pasta no Berra Boi
tudo está como sempre foi

no Coito das Araras é o araçá das almas
o Zé que cantava é o sete casacas
é a sombra do touro êia, peroba baião ê ê
é a sombra do touro êia, timborna sertão

ainda trago na boca, nos olhos a visão da tua imagem
despenteada, sorrindo, correndo pela rodagem
meia distância, meia légua, légua e meia á á
no fim apanhei restou a peia, légua e meia á á
você correndo pela rodagem, légua e meia á á
despenteada, sorrindo, légua e meia

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