Carlos Galhardo

Professora

Eu a vejo todo dia
Quando o sol mal principia
A cidade a iluminar
Eu venho da boemia

Ela vai, quanta ironia
Para a escola trabalhar
Louco de amor em seu rastro
Vaga-lume atrás do astro

Atrás dela eu sou um trem
E no trem das professoras
Outras vão sedutoras
Eu não vejo mais ninguém

Esta operária divina
Que lá no subúrbio ensina
As criancinhas, a ler
Naturalmente condena

A minha vida serena
O meu modo de viver
Condena porque não sabe
Que toda culpa lhe cabe

De eu viver ao deus-dará
Menino querendo ser
Para com ela aprender
Novamente o beabá

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