Carlos Galhardo

Luar de vila Sonia

Luar de vila Sonia

Luar, mais nada me seduz
Senão, chorar pensando em ti
Luar, sonho banhado em luz
Agora eu sei o que perdi

É noite e tudo se desfaz
Na fria solidão da lei
Noite sem Deus, noite sem paz
E tudo foi humano, errei

Mas inda tenho coração
E tudo pode acontecer
O despertar da redenção
De um terno amor, o alvorecer

Amor, o alivio para a insônia
Perdão, a graça para o fim
Quero-te luar de vila Sonia
Para morrer cantando assim...

(Declamado)
"Nove horas, apagam-se as luzes do presídio
Mais uma esperança perdida na insípidez de um dia
Estiolado que se foi para o além, como tantos outros se foram, desde que me destinaram esta vida amargurada de encarcerado
Mais um período de lágrimas para a minha grande desventura
A noite tenebrosa dos fantasmas, a escuridão da lei privando-me do luar perfumado e encantador de vila Sonia, adormecida
A corneta da sentinela, lá no portão longínquo do presídio,
inicia o toque do silêncio, enquanto sob o cáustico do pranto abrasador, prossigo meu destino marcado, cantando e chorando a minha saudade imensa".
Luar, mais nada me seduz
Agora eu sei o que perdi

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