Boémia

Fotonovela II

Se mergulho no teu corpo
Desemboco no mar alto
Quando me espreita o deserto
Fica o corpo em sobressalto
Quando à noitinha me deito
Para falar com a almofada
Penso na côr dos teus olhos
E perco o fio à meada

O que vai ser de mim
O que será de nós
Uma fotonovela do tempo dos meus avós

E desperto em ansiedade
Sonolento saio à rua
Vou no centro da cidade
Ando no mundo da lua
Afunilado no metro
A pensar com os meus botões
Que a vida não segue o ritmo
Do bater dos corações

O que vai ser de mim
O que será de nós
Uma fotonovela do tempo dos meus avós

E já de regresso a casa
Com o passo em marcha lenta
É o fim de uma jornada
Mais o dia sem diferença
Entro na cervejaria
Peço a bica e um croissant
E penso que a nossa vida
Pode ser um Two in one

O que vai ser de mim
O que será de nós
Uma fotonovela do tempo dos meus avós

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